A avaliação semiológica da memória na Doença de Alzheimer

A avaliação semiológica da memória na Doença de Alzheimer

Co-autores : Henrique Alvarenga Aratake; Ana Paula Freitas de Oliveira; Beatriz Curado Damasceno; Giovana Figueiredo Maciel;

A doença de Alzheimer (DA) é a principal patologia neurodegenerativa responsável por quadros demenciais (atualmente chamados “Transtornos Neurocognitivos Maiores”) em idosos, sendo seu sintoma mais prevalente e inicial a amnésia.

Dessa forma, é importante saber algumas formas de avaliação da memória – um sintoma cardinal na DA – para que essa patologia possa ser diagnosticada o mais precocemente possível melhorando o manejo dos doentes.

Dentro dos subtipos de memória, a Declarativa Episódica (aquela relacionada a vivências e experiências pessoais) Recente mostra-se uma das mais afetadas na DA, o que pode ser detectado com a parte de memória do Mini mental e também por relatos de familiares sobre esquecimentos a fatos recentes (amnésia anterógrada). Isso se justifica pela predileção da DA em acometer o hipocampo e outras estruturas temporais mediais – áreas responsáveis pela memória declarativa episódica (o hipocampo consolidaria algumas das vivências recentes – as mais marcantes – para que elas estivessem disponíveis a longo prazo – Memória Remota – no Neocórtex).

Apenas em fases mais tardias da DA outros subtipos de memória costumam ser acometidos, uma vez a área afetada nesses casos serem inicialmente poupados. Isso ocorre com a Memória Procedural (subcortical) – avaliável solicitando ao paciente que realize algum comando motor previamente aprendido como amarrar os cadarços – e a memória Declarativa Semântica (relacionada ao aprendizado de conhecimentos objetivos e informações, de topografia no neocórtex temporal) – avaliável no teste de fluência verbal, por exemplo – em que o paciente tem 60 segundos para dizer o máximo de nomes de animais (mas o teste pode também ser realizado com nome de frutas), considerando sempre anormal se o indivíduo falar menos de 12 palavras nesse período (SANVITO, 2010).

Portanto, pela predileção hipocampal e para-hipocampal de acometimento inicial do Alzheimer, as memórias remotas tendem a ser relativamente preservadas no início do quadro uma vez estarem armazenadas no neocórtex – ilustrando, seria aquela família que chega no consultório queixando que o idoso começou a não se recordar de fatos recentes, mas ainda conta com detalhes fatos longínquos. Em alguns casos, Testes Neuropsicológicos com foco em memória e atenção também podem ajudar a avaliação.

Assim, é importante ficarmos atentos e a saber como avaliar a memória – na dúvida, consulte seu Neurologista de confiança !

 

Elaine Rodrigues Rosa – Médica Neurologista

(62) 981856637

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